sexta-feira, 9 de novembro de 2012

A guerra e o cárcere Uma trágica guerra instaurou-se entre o crime organizado e a Policia Militar de São Paulo. A selvageria e a violência tomaram conta do cotidiano de amplos setores da periferia da cidade. A população, sempre vítima maior deste conflito, vive momentos de intensa insegurança. A mídia comercial é estranhamente comedida nos espaços dedicados ao noticiário do tema. Polícia Militar realiza abordagens em bairros na zona norte de SP durante a Operação Saturação, lançada após uma onda de violência atingir a cidade. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil Os governos federal e estadual travaram acordo de cooperação com vistas à repressão comum do crime organizado por meio da criação de uma agência especializada. O referido acordo é mais que bem-vindo. Em verdade o tema não pode ser sanado apenas com a ação estrita do estado membro da Federação, por mais que a competência formal para tanto seja sua. A complexidade do problema, os tentáculos de uma rede criminosa com vasta extensão territorial, a necessidade de verbas e, acima de tudo, o interesse público exigem a colaboração de todas as esferas federativas sem influência das cores partidárias. Não há que se ter ingenuidade: o problema do crime organizado não se resolve sem repressão. Embora, diga-se, esta repressão nos pareça que se deva realizar mais por atos policiais de inteligência e investigação do que por polícia de dissuasão. Entretanto, é ilusório acreditar que o término ou a mitigação do crime organizado se dará exclusivamente pela repressão. A ilusão punitiva é um dos mitos maiores que nossa população crê e que nossa classe política no mais das vezes malandramente fortalece, mesmo sabendo de sua inconsistência. O crime nasce de um complexo engendramento de razões sociais, axiológicas, psíquicas e humanas, algumas das quais provavelmente ainda desconhecidas totalmente por nós. Nas razões da criminalidade organizada de formatação, como a do PCC, certamente contribuem o fosso social existente num país onde parcela significativa da população ainda vive excluída de padrões mínimos de consumo e inclusão social, não tendo nada a perder em termos de aceitação e afeto sócio-ambiental ao assumir a conduta criminosa. Pelo contrário: no ambiente da favela o jovem muitas vezes ganha em admiração e respeito ao se integrar à atividade delituosa. Muitas vezes o crime é a oportunidade de ascensão social, liderança e respeito negados pela sociedade. A repressão desacompanhada de medidas sociais de inclusão é ilusória, portanto, mas também é necessário repensar o excessivo encarceramento existente no país. Ao contrário do que pensa o senso comum, há muita gente presa. Muita gente presa que já cumpriu pena e já deveria estar solta. Muita gente presa por crimes de menor perigo a convivência social – e que, portanto, não deveria estar presa. Muita gente presa por crimes não violentos convivendo com gente presa por crimes extremamente violentos. E todos presos em condições sub-humanas que levam os mais fracos e pacíficos a se submeterem ao poder dos mais fortes e mais violentos e, obviamente, a se tornarem violentos para sobreviverem. Evidentemente todos pobres. É deste cárcere infernal que nasce o crime organizado. É neste cárcere que nasceu o PCC, como todos sabem. Nasce daí a ilusão punitiva da classe média desinformada. Ao ter notícia do furto no supermercado ou de um porte de uma quantidade um pouco maior de maconha, pleiteia a punição exemplar do ladrão ou do pequeno traficante. Pleiteia, assim, que o Estado prenda logo o ladrão ou o pequeno traficante. Na prática deseja que este delinquente iniciante ou quase famélico seja posto num cárcere onde ele custará cerca de 2000 reais para o contribuinte para provavelmente se tornar um soldado do PCC. A realidade é que nossas prisões não têm servido para reeducação de ninguém. Ao contrario, são escolas do crime. E vão continuar sendo enquanto teimarmos em usar o aprisionamento como medida punitiva para todo e qualquer delito, sem entender que prisão é medida fronteiriça que só deve ser usada contra o delinquente a oferecer efetivo risco à convivência social. Não há orçamento estatal que suporte o encarceramento de delinquentes de menor risco à convivência social e a vítima maior deste excessivo encarceramento é a própria sociedade, pois é quem arca com a violência que advém da promiscuidade carcerária. Quem comanda e controla as ordens de matança de nossos policiais nesta triste guerra que hoje ocorre na periferia é o crime organizado existente dentro de nossos presídios, cuja população carcerária não é nem será passível de qualquer controle real estável pelo aparelho estatal. Será sempre um barril de pólvora prestes a explodir. Um dos fatores ocasionadores deste caldo violento, sem dúvida, é a crença ilusória de que todo e qualquer crime pode e deve ser punido pelo estado com encarceramento, independentemente da periculosidade de seu agente. Um Código Penal enxuto, que puna com encarceramento apenas os crimes realmente graves e uma máquina judiciária atenta à execução penal, que tire da cadeia quem lá não deva estar, será, sem dúvida, um passo tão importante quanto a repressão para pelo menos se mitigar a barbárie do crime organizado.
Comissão da Verdade vai apurar ação das igrejas PATRÍCIA BRITTO DE SÃO PAULO A Comissão Nacional da Verdade realizou ontem, em São Paulo, a primeira reunião do novo grupo de trabalho que vai apurar a atuação das igrejas cristãs --católicas e protestantes-- durante a ditadura militar (1964-1985). Coordenado pelo membro da Comissão Nacional da Verdade Paulo Sérgio Pinheiro, o grupo pretende investigar tanto casos de apoio e colaboração com o regime como de resistência à repressão. No encontro de ontem, foram definidos cronograma de trabalho para as pesquisas. Silva Junior/Folhapress Anivaldo Padilha, pai do ministro Alexandre Padilha O objetivo, segundo o coordenador, será "indicar autorias, responsabilidades e circunstâncias" em que violações dos direitos humanos ocorreram. Para isso, membros de igrejas, vítimas e testemunhas poderão ser convocados para depoimento. Segundo Pinheiro, nenhuma igreja será priorizada durante as investigações. Ontem estavam presentes representantes das igrejas metodista, presbiteriana, luterana, batista e católica. A mobilização para criar o grupo dedicado à atuação das igrejas ocorreu após o depoimento do ex-preso político Anivaldo Padilha --pai do ministro da Saúde, Alexandre Padilha-- à Comissão Nacional da Verdade em setembro. "O depoimento dele foi o elemento detonador do processo", afirma o professor Leonildo Silveira Campos, da Universidade Metodista de São Paulo, que participará das investigações. Em fevereiro de 1970, Anivaldo foi preso após ser delatado por um pastor e um bispo da Igreja Metodista que frequentava em São Paulo. Na época, ele dirigia o Departamento Nacional de Juventude da igreja e editava a uma revista para aquele grupo, além de participar da Ação Popular, movimento da esquerda cristã. Em 1971, Anivaldo se exilou, e só voltou ao Brasil em 1979, com a Lei da Anistia. Havia deixado no país a mulher, grávida de Alexandre Padilha, que só conheceu o pai aos oito anos de idade. "Há um sentimento de que é importante fazer essa investigação", disse Anivaldo. "Para que não só as igrejas, mas as outras instituições que colaboraram na preparação do golpe se deem conta de quão nefasto isso foi para a sociedade brasileira." Anivaldo é um dos membros do novo grupo de trabalho. Ele diz acreditar que haverá resistência às investigações. "Obviamente alguns setores vão se opor. Os setores mais conservadores ou que são remanescentes de grupos que apoiaram a ditadura não vão estar muito contentes." Além de casos como o de Anivaldo, o grupo pretende investigar episódios como o fechamento de escolas com orientação religiosa, demissão de professores, expulsão de padres e pastores e perseguição a grupos religiosos. Os resultados das pesquisas estarão em um capítulo do relatório final da Comissão Nacional da Verdade, que deverá ser apresentado em maio de 2014. http://www1.folha.uol.com.br/poder/1182733-comissao-da-verdade-vai-apurar-acao-das-igrejas.shtml
"Tenho certeza que Lula não sabia", diz Suassuna sobre o mensalão ELEONORA DE LUCENA ENVIADA ESPECIAL AO RIO "Eu tenho certeza de que Lula não sabia de nada." A defesa do ex-presidente foi feita pelo escritor Ariano Suassuna na abertura da Flupp (Feira Literária Internacional das Unidades de Polícia Pacificadora) na noite de anteontem no Morro dos Prazeres, no Rio de Janeiro. Para ele, o julgamento do mensalão tinha que acontecer, "mas que ninguém vá atribuir a Lula". O dramaturgo Ariano Suassuna "Getúlio Vargas deu um tiro no peito quando descobriu que estava cercado de corruptos", afirmou o escritor. "Fui secretário de Cultura de Miguel Arraes (1916-2005). Era um ovinho desse tamanho. No fim do meu mandato, descobri que tinha uma mulher lá que vendia vale- refeição. Eu fiz o que Lula fez: puni e demiti. Eu não sabia." Suassuna, autor de "Auto da Compadecida", disse estar preocupado com o movimento de descrédito da política nos dias de hoje. "Há hoje um estado de espírito em que a pessoa tem vergonha de dizer que é político. Não é assim não. A política bem entendida é uma das coisas mais importantes. Não sou político; sou um escritor que tem preocupação política, porque sei da importância da política", afirmou. ESTREIA Com 85 anos, foi a primeira vez que Suassuna pisou numa favela do Rio. Deu sua aula espetáculo tratando da cultura popular e ganhou aplausos da plateia que misturava escritores e moradores do bairro. "Tem uns velhos da minha idade que dizem que no meu tempo era melhor. É mentira deles. [No passado] a desigualdade social era muito pior. Melhorou muito nos governos Lula e Dilma", disse em entrevista. Mas ressalvou: "Não sou nem otimista nem pessimista. Os otimistas são ingênuos e os pessimistas, amargos. Sou um realista esperançoso. Sou homem da esperança. Sei que é para um futuro muito longínquo. Sonho com o dia em que o sol de deus vai dar justiça para todos".

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O ministro Jorge Hage, da CGU (Controladoria Geral da União), disse nesta quarta-feira (7) que o julgamento do mensalão "inovou" nos critérios para condenar acusados de corrupção e que isso pode ser de "enorme ajuda" no combate à corrupção.Segundo ele, é preciso esperar para ver se as posições do STF (Supremo Tribunal Federal ) vão se replicar nas instâncias inferiores do Judiciário e as leis serão alteradas para garantir processos mais rápidos.Ministros tentam acelerar definição de penas do mensalãoAnálise: Votos ainda podem ser alterados até o final do julgamento"Se isto acontecer, será uma enorme ajuda no combate à corrupção. É preciso ver se é igual para todos ou se foi apenas nesse caso excepcionalíssimo", explicou.Hage afirmou que foram utilizados critérios "sem precedentes" e teses jurídicas que ainda vão gerar discussão. "Não há como negar, embora alguns tenham pretendido fechar os olhos, que o Supremo inovou numa série de teses, como a tese do domínio do fato ou a validade de provas obtidas na fase pré-processual, ou seja, nas investigações policiais e de CPI".Por isso, o ministro diz que é preciso aguardar se esse novo paradigma será utilizado pelos juízes, que não estão "acostumados" com os entendimentos do Supremo. "Já ouvi comentários de que se um juiz desse uma sentença assim [como a do mensalão] ela seria reformada no dia seguinte pelo tribunal. Os juízes brasileiros não estavam acostumados com determinadas posturas e orientações que a Suprema Corte assumiu agora".O ministro afirma que uma das explicações para as inovações do STF pode ser a influência da "evolução da sociedade brasileira no debate do combate à corrupção".Como chefe da CGU, Jorge Hage é o responsável pela corregedoria e fiscalização dos servidores do governo federal. Ele participou nesta quarta-feira, ao lado da presidente Dilma Rousseff, da abertura da 15ª Conferência Internacional Anticorrupção.LENTIDÃOO ministro disse que a demora em julgar casos de corrupção é um "entrave terrível" e, por isso, o julgamento do mensalão não deve "nos iludir exageradamente" em relação à lentidão da Justiça.Jorge Hage disse que o foro privilegiado dos acusados do mensalão foi uma "ironia" porque acelerou o julgamento em "tempo recorde" por ser em apenas uma instância. "O que era para ser um privilégio ironicamente acabou produzindo um resultado inverso porque essa foi a primeira de muitas ações importantes que ainda não foram julgadas e que tramitarão por 10 ou 20 anos sem chegar ao final", afirmou.O ministro da CGU criticou duramente o sistema processual brasileiro, que permite diversos recursos e a "eternização" dos processos. "O Brasil tem um das piores sistemas processuais do mundo. O Brasil uma quantidade e variedade de recursos que nenhum outro sistema tem. Nós temos recursos copiados de Portugal que vem do direito da Idade Média e que Portugal já extinguiu e no Brasil continua existindo".Apesar das críticas, Hage a.firmou que o julgamento do mensalão é uma "demonstração da independência do Judiciário e de que as instituições funcionam".IMPRENSAPerguntado sobre a afirmação do ex-ministro José Dirceu, condenado no julgamento do mensalão, de que é preciso regulamentar a mídia, Jorge Hage defendeu uma imprensa "absolutamente livre"."A imprensa é tão fundamental quanto órgãos de controle e de investigação. Não há como combater a corrupção sem uma imprensa absolutamente livre", disse.Hage, contudo, disse que não conhecia o conteúdo das declarações de Dirceu e, por isso, não iria comentá-las. Mas, para o ministro, cabe ao Judiciário corrigir excessos. "Os exageros podem existir em todos os setores. Há quem ache que os órgãos de controle atrapalham a gestão. No limite, a Constituição e a Justiça podem dirimir conflitos e tratar de eventuais excessos. A questão é simples assim". http://www1.folha.uol.com.br/poder/1181697-julgamento-do-mensalao-traz-enorme-ajuda-no-combate-a-corrupcao-diz-ministro.shtml

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Governo federal anuncia 100% dos royalties do petróleo para educação Chinaglia, Mercadante, Tatto e Zarattini na reunião que definiu o projeto. Via PT na Câmara O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), considerou na quarta-feira, dia 31, como de interesse estratégico a proposta do governo de usar 100% dos royalties do petróleo para o setor da educação. “Os recursos do petróleo são finitos, portanto, aplicá-los em educação assegura um desenvolvimento sustentável do País, no longo prazo. Investir em educação potencializa nosso parque industrial, nossa ciência e tecnologia”, disse. Tatto observou que o Brasil não pode repetir a experiência de outros países, que gastaram os recursos oriundos da exploração do petróleo de forma imprevidente e hoje convivem com bolsões de miséria. Em contraste, a Noruega, lembrou o líder, adotou um modelo exemplar, nos últimos 40 anos, destinando os recursos do petróleo para a educação. Hoje, aquele país tem um dos maiores índices de desenvolvimento humano do planeta. Estima-se que os novos contratos e leilões possam gerar uma arrecadação de pelo menos R$30 bilhões nas próximas décadas. A proposta do governo, para ser aplicada aos novos contratos a serem assinados tanto para a camada do pré-sal como na do pós-sal, foi comunicada na quarta-feira, dia 31, à coordenação da bancada do PT na Câmara pelo ministro da Educação, Aloizio Mercadante. O ministro afirmou que a presidente Dilma Rousseff defende mudança nas regras apenas para os novos contratos de exploração dos campos e, ainda, que todo o dinheiro proveniente dos royalties seja aplicado em educação tanto para a parte da União, quanto a dos estados e a dos municípios. O líder Jilmar Tatto já marcou uma reunião da bancada para terça-feira, dia 6/11, para tratar do tema, cuja votação é considerada prioritária pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT/RS). Da reunião com Mercadante participaram também o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT/SP) e o relator do projeto que trata da distribuição dos royalties do petróleo (PL 2565/11), deputado Carlos Zarattini (PT/SP). Jilmar Tatto observou ainda que há agora um duplo desafio: para Zarattini, o de ajustar seu relatório diante de uma proposta bem clara do governo; e, para Chinaglia, o de construir o apoio junto à base do governo para a aprovação da matéria. Ele acredita que o projeto poderá ser votado na próxima semana. “O importante é que o governo agora anunciou uma posição bem clara a respeito dos royalties”, disse. Segundo o ministro Aloizio Mercadante, a proposta do uso dos royalties do petróleo é a alternativa “concreta” para garantir a destinação, em dez anos, de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) ao setor, conforme prevê o Plano Nacional de Educação (PNE), aprovado este mês pela Câmara dos Deputados. O Projeto de Lei 8035/2010, que trata do PNE, ainda será votado no Senado. “É um compromisso da presidenta. É o compromisso do governo”, disse o ministro. O governo, entretanto, deverá enfrentar muitas resistências às propostas, já que Estados, municípios e muitas áreas do próprio governo contam com parte dos recursos do pré-sal e dos royalties para garantir seus investimentos. “Seguramente, é uma posição de governo. Nós vamos defender, com bastante convicção, que todos os royalties do petróleo, tanto do pré-sal como dos royalties do petróleo que não foram repartidos para frente, e pelo menos metade do fundo social sejam canalizados exclusivamente para a educação em todos os níveis”, completou Mercadante. O apoio do governo foi confirmado pela própria Dilma em audiência com o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu. “A única alternativa real e concreta que eu vejo é vincularmos todos os royalties do petróleo à educação em todos os níveis, federal, estadual e municipal, além de 50% do fundo social [do pré-sal]. http://novobloglimpinhoecheiroso.wordpress.com/2012/10/31/governo-federal-anuncia-100-dos-royalties-do-petroleo-para-educacao/
CPMI da violência contra a mulher visita cidades do Entorno do DF Dos 15 municípios mais violentos para mulheres em Goiás, 8 estão na região. Formosa tem o maior índice; Goiânia aparece em 9º e Luziânia em 11º. Integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga a violência contra as mulheres no Brasil visitaram cidades no Entorno do Distrito Federal na segunda-feira (29). Dos 15 municípios goianos com as maiores taxas de homicídios entre a população feminina, 8 estão na região ao redor de Brasília, de acordo com o "Mapa da Violência". Os dados são referentes aos anos de 2008 a 2010. Entre as cidades visitadas está Formosa, a mais violenta para as mulheres em Goiás, de acordo com o estudo. Ela ocupa a 1ª colocação entre os municípios goianos e a 20ª no ranking nacional, com taxa de 14 assassinatos para grupo de 100 mil mulheres. A média nacional é de 4,4. Os parlamentares também estiveram em Valparaíso de Goiás, 3ª mais violenta em Goiás; Planaltina, 6ª colocada; e Luziânia, que ocupa a 11ª posição. As outras cidades do Entorno que aparecem entre as 15 mais perigosas são: Águas Lindas, Novo Gama, Cidade Ocidental e Santo Antônio do Descoberto. Deputados e senadores observaram como é feito o atendimento às vítimas e também a estrutura das delegacias. O que chamou a atenção dos parlamentares é que, entre os municípios do Entorno, somente Luziânia e Formosa têm unidades policiais especializadas em atendimento a mulheres vítimas da violência. “Nós encontramos uma das piores situações de todo o Brasil pela falta de defensoria pública no estado, pelas precárias condições de instalação da própria delegacia, pela falta de assistência específica à mulher e seus filhos quando saem da delegacia, anunciando um crime que estão sendo vítimas, como no caso como no caso específico de uma ameaça ou lesões corporais. Enfim, a mulher sofre a violência, chega à delegacia, é atendida precariamente e quando sai da delegacia ela não tem para onde ir. É preciso fazer com que a Lei Maria da Penha seja aplicada”, defende a deputada federal, Marina Sant' Anna (PT-GO). Para a delegada Dilamar Castro, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Luziânia, que registra, em média, cinco casos por dia, a visita é positiva e expõe as dificuldades enfrentadas pelos policiais em combater a violência doméstica. “Um sinal de que as autoridades constituídas pelo povo estão preocupadas com o atendimento que está sendo dado, especificamente, às mulheres”, acredita. Em Luziânia há 180 inquéritos em andamento que vão desde ameaças até a violência sexual. Só nos últimos meses foram mais 250 ocorrências de lesão corporal e 343 ameaças. Cansada das agressões, uma jovem que prefere não mostrar o rosto denunciou o companheiro, com quem é casada há 14 anos. o marido está preso. Segundo ela, esta foi a única alternativa para acabar com a violência doméstica. "Tem que ter coragem. Ou tem coragem, ou você morre. Porque promete e quem promete um dia faz. A certeza é essa aqui", afirma a jovem. Região Metropolitana Três cidades da Região Metropolitana de Goiânia estão entre as 15 cidades mais violentas para mulheres em Goiás. O maior número de assassinatos entre a população feminina foi registrado em Senador Canedo. Com taxa 7,1 para grupo de 100 mil habitantes, o município está na 7ª posição. Goiânia aparece em 9º lugar, com taxa de 6,3. No entanto, no ranking nacional, fica na 139ª posição. Até 2010, a capital do estado tinha uma população feminina de 681.144 mulheres. Segunda cidade mais populosa do estado, Aparecida de Goiânia aparece em 13º, com taxa 3,9. Se comparada a todos os municípios brasileiros, a cidade da Região Metropolitana fica na 285ª colocação. Da redação em 30/10/2012 às 20:24 G1-GO http://www.entornosul.com.br/site/entorno-e-goias/1867-cpmi-da-violencia-contra-a-mulher-visita-cidades-do-entorno-do-df.html

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Ação Penal ou espetáculo de massa É demasiado pensar que houve enxergo nas acusações do Ministério Publico aos acusados da Ação Penal 470, apelidada de “mensalão”, que tramita no Supremo Tribunal Federal? Bom, tudo indica que a esta pergunta os onze ministros do STF estão preparados para respondê-la. Ou não! No milênio passado, entre os séculos XVII e XX, as acusações eram sempre apresentadas de modo a levar o acusado a praça publica e o seu corpo ser esquartejado e espalhado pelas esquinas das ruas. Eram as chamadas penas espetáculos. Esperava as autoridades locais que com esta demonstração de força, as demais pessoas não cometeriam o mesmo crime. Cesare Beccaria combateu fortemente estas penas espetaculosas e de suplícios. Nas Democracias Modernas não existe espaço para as penas espetáculos, os enforcamentos em praça publica, nem tampouco as penas degradante ou humilhantes. De fato, os tempos são outros e estas punições não são aceitas na civilização moderna, muito menos no Estado Democrático de Direito. A Constituição Brasileira de 1988 traz a garantia de foro privilegiado para Deputados e Senadores no exercício do seu cargo, para que os mesmos possam legislar com a força do voto popular. Os Congressistas tem o direito de serem investigados, processados e julgados. No entanto, o órgão que tem jurisdição para receber tal denuncia é o Supremo Tribunal Federal. Esta Suprema corte tem o papel fundamental de guardiã da Constituição. Segundo a Carta Magna “a imunidade parlamentar não se estende ao-réu sem essa prerrogativa” (Sumula 245 do STF). A pergunta que não quer calar. Por que 38 pessoas que não detinham o status de Parlamentar foram indiciadas na AP 470, quando apenas dois dos acusados são Parlamentares? O Procurador Geral da República desconhece esta Sumula? Impossível, ele é parte integrante daquela Corte. A Constituição Federal garante a seus Nacionais o duplo grau de jurisdição. Este princípio sustenta que ninguém será condenado sem o devido processo legal. Ora se este princípio não foi banido da mais alta Lei do País, então, por que elas estão sendo julgadas na Egrégia Corte? O que levou o eminente Procurador Geral a tomar tal atitude? O STF só deveria ter recebido a denúncia que envolvesse os Congressistas? O que aconteceu? Com todas estas garantias Constitucionais o Ministério Público apresentou a denúncia e o Supremo Tribunal Federal acolheu, e decidiram julgar esta ação. Uma das hipóteses que vislumbro é a pressão que aqueles órgãos estão sofrendo da “Agencia Comunicação”. De toda sorte, Eugenio Zaffaroni, ministro da Suprema Corte Argentina e Doutrinador, classifica em Sistemas as Agencias que formam as forças de Estado. São elas: as Agências Policiais, Penitenciarias e Judiciais e complementarmente em subsistemas as Agência de Reprodução de Conhecimento, Politica e Comunicação. Sendo que esta ultima influencia diretamente nas demais, em alguns casos colaborando na elucidação de denúncias, chegando até a derrubada de governos. Segundo Raúl Zaffaroni,” el monopolio de los medios de comunicación de masa explota el sentimiento negativo de venganza de la sociedad y estimula un interés patológico por crímenes”. Outra hipótese que trago é o pensamento das burguesias oligárquicas onde a Casa Grande e a Senzala nunca deixaram de existir. Sobre a formação da casa grande e a senzala, a obra do Antropólogo e Sociólogo Gilberto Freyre desnuda a época Colonial, onde os senhores de engenho castigavam seus/suas escravos, além do açoite, chegando a atos libidinosos, para saciar o seu desejo e demonstrar a força de sua classe. O governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua pessoa passaram longos oitos anos sofrendo ataques infindáveis das classes dominantes do País, numa tentativa desesperadora de desclassificar a chegada de um operário ao Posto mais alto da República, sua Presidência. Além dos ataques pessoais sofridos, seus ministros também estiveram em situações constrangedoras. Estes ataques partiam quase sempre de uma parcela significativa das Burguesias Patrimonialistas, que vislumbravam a possibilidade de voltar ao Poder nas próximas eleições. Como não poderia deixar de ser, o governo Lula cumpriu seus oito anos de mandato, tirou o Brasil da rota de colisão econômica mundial, beneficiou mais de 30 milhões de pessoas que viviam na linha da miséria, além de eleger sua sucessora. De fato, hoje pensamos o Brasil como uma nação que esta em pleno desenvolvimento social, econômico, cultural, científico e politico. Pedro Rogério Melo de Lima